Outro dia, algo simples aconteceu — e me atravessou.
Eu saía da academia quando começou a chover.
Era uma chuva fria, dessas que o outono traz de repente,
com o vento cheirando a folhas e despedidas.

Por instinto, eu deveria correr até o carro,
mas, por algum motivo, continuei andando.
As gotas caíam no meu rosto, nos meus cabelos,
e, pela primeira vez em muito tempo, eu quis apenas sentir.

Era como se aquela chuva lavasse algo em mim
— algo que eu nem sabia que precisava ser lavado.
O mundo ficou mais lento, o som ficou mais doce,
e o frio me fez lembrar que eu ainda estava viva.

Desde então, tenho pensado nisso.
Talvez fosse só uma chuva qualquer.
Ou talvez fosse a vida me dizendo, em silêncio,
pra parar de fugir de mim mesma.

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