Antes de qualquer conquista existe um movimento — e antes de qualquer movimento existe uma decisão.
Nenhuma ideia, por maior que seja, transforma-se em vida enquanto estiver trancada dentro da mente, protegida pela desculpa da perfeição. Entre o que desejamos e o que realmente acontece existe uma ponte feita de tentativas, ajustes e coragem. E nessa travessia, o que nos impulsiona não é o medo de errar, mas sim o desejo incontornável de ver nascer aquilo que só nós sabemos o tamanho.
O mundo não está interessado nos temporais que você enfrentou. Ele quer saber se você trouxe o navio.”
Muitas vezes pensamos:
— Ah, já que não sou perfeito, meus erros podem ser justificados.
Mas não é disso que tratamos aqui.
Este capítulo fala de estratégias e planejamento, não de desculpas.
Se passarmos a vida justificando nossas falhas, é provável que terminemos frustrados e desmotivados.
Em vez disso, o pensamento poderia ser outro:
“Já que não sou perfeito, farei o melhor que eu puder — para alcançar o melhor resultado possível para a minha vida.”
Não existe fórmula mágica para atingir objetivos.
Em algum momento, você tomará uma decisão,
essa decisão o levará a uma ação,
e dessa ação virão resultados e consequências.
Não se iluda: na primeira tentativa você dificilmente vai acertar os números da loteria, encontrar o pote de ouro ou acordar às dez da manhã com seu café na mesa, ovos fritos na manteiga e todas as guloseimas preparadas por um funcionário seu.
A vida, meu caro, só é realmente compreendida quando a força exercida sai de nós.
Vou explicar.
Se você está carregando um saco de cimento e, diante de si, o único caminho é uma ladeira íngreme — em dia de chuva, ou sob o sol ardente do meio-dia, com dor no ciático e poucas horas antes de buscar seu filho na escola — faria algum sentido alguém que nunca fez metade do seu esforço dizer:
— “Nossa, eu entendo o que você está passando.”
Você concorda que somente quem executa de fato determinada tarefa é capaz de compreender e medir o nível desse esforço?
É como a dor — ou qualquer sentimento abstrato: só compreende quem sente.
Com esse exemplo, entendemos que a perfeição não é o requisito principal quando estamos realizando algo que precisa ser feito.
O que realmente importa é o quanto queremos ver nossa meta concluída, mesmo que o planejamento não tenha sido impecável.
Perfeição: palavra que pesa
A definição de perfeição é:
O mais alto nível numa escala de valores.
Excelência no mais alto grau.
Perceba como as palavras carregam significados profundos. Muitas vezes, fantasiamos esses significados e, sem perceber, transformamos conceitos em monstros que nos paralisam, simplesmente porque não compreendemos o que realmente significam.
Não estou dizendo que somos ignorantes, mas que existem maneiras simples e práticas de tornar nossa visão mais clara, reduzindo medos, expectativas irreais e confusões internas.
Em algum momento da minha vida, compreendi que, quando entendo o conceito de algo, administrar situações e problemas se torna mais fácil.
Por isso, daqui para frente, não conclua — e não desista — sem antes entender o conceito, o significado das palavras e o objetivo do projeto.
A partir dessa base, decisões tornam-se mais seguras e eficientes.
O conceito de perfeição é tão profundo que, se nos guiarmos cegamente por ele, corremos o risco de não agir — medo de errar, medo de não ser suficiente, medo de não alcançar o que imaginamos.
Mas errar faz parte da tentativa de acertar — dentro de um contexto sério, responsável, intencional, onde buscamos o melhor, ajustando arestas e aprendendo com o ambiente e com as pessoas.
Entre fazer e não fazer
Uma vez ouvi de um chefe, em uma grande empresa:
“Prefiro pedir desculpas por ter feito, do que pedir desculpas por não ter feito.”
Não concordo totalmente.
Prefiro acreditar que “o combinado não sai caro” — ou, adaptando:
o planejado não sai caro, o calculado não sai caro.
Quando envolvemos pessoas, sentimentos e contextos, compartilhar e pedir ajuda facilita — e muito — o caminho.
Estou convencida de que o trabalho conjunto é mais eficiente do que ações isoladas guiadas por controle, vaidade ou busca obsessiva pela perfeição.
Esses impulsos, muitas vezes, travem resultados e impedem crescimento.
Por isso, faça uma autoanálise honesta:
estou atrapalhando o ambiente em que atuo?
estou sabotando meus próprios projetos sem perceber?
A busca pela perfeição — subjetiva, pessoal e inalcançável — pode estar apenas atrasando o primeiro passo.
Talvez a meta que você imaginou seja tão grande e tão formatada apenas na sua cabeça que ninguém mais consegue ajudá-lo — e, por isso mesmo, ela não acontece.
Vivemos em sociedade.
Ideias compartilhadas encontram caminhos.
Caprichos solitários costumam morrer na gaveta.
Expectativas, críticas e ação
Este capítulo é um convite para refletir:
estamos exigindo de nós algo tão grandioso e tão desconectado do mundo ao redor que acabamos sem agir?
Enquanto isso, somos julgados por quem nem sabe o tamanho da nossa meta, e corremos o risco de ter apenas concluído… sem nunca ter tentado.
Críticas, análises, julgamentos — tudo isso é humano.
Se existe, precisamos estar preparados para ouvir, filtrar, aprender e, quando fizer sentido, ajustar o projeto.
Não encare este capítulo como autoajuda.
É um chamado à responsabilidade e à autonomia.
Pare de justificar erros, dores e desistências.
Pare de justificar a falta de iniciativa.
Ninguém é perfeito.
Ninguém está livre de limitações.
Somos humanos — e isso significa estar em constante evolução.
Quando percebemos que a busca pela aceitação alheia nos paralisa, passamos a focar no alvo — e a mente torna-se livre para criar.
Conclusão
O que espero que você conclua é simples:
No momento em que você decidir iniciar os projetos que vivem apenas na sua mente, os pontos vão começar a se conectar.
As peças vão se ajustar no caminho.
A perfeição não antecede a ação — ela nasce do processo.
E tudo começa com um passo imperfeito em direção ao seu objetivo real.
Não é o perfeito que muda a sua vida — é o feito.